Os Aracnídeos

Os Aracnídeos

Os aracnídeos (Arachnida) são uma classe do filo dos artrópodes que inclui, dentre outros, aranhas, carrapatos, ácaros, opiliões e escorpiões, compreendendo mais de 60.000 espécies. O nome desta classe tem origem na figura da mitologia grega Arachne, porque as aranhas foram os primeiros membros a pertencer a esta classe. Quase todas as espécies são animais terrestres.

Características

Os aracnídeos têm como características básicas: 4 pares de patas articuladas (1), um corpo dividido em cefalotórax (2) e abdômen (3).

Possuem quatro pares de patas inseridas no cefalotórax (prossoma), que é coberto por uma carapaça quitinosa, um par de apêndices modificado em quelícera que pode ser disposta de modo paraxial ou diaxial, um par de pedipalpos que variam em forma dependendo da ordem e com funções diferenciadas, sem antenas, abdome (opistossoma) sem divisão definida. Podem haver particularidades, como no caso das aranhas, com a presença de fiandeiras que são utilizadas para a produção de seda e os escorpiões com a presença do aguilhão no último segmento do abdome.

Classificação dos aracnídeos

Os aracnídeos são classificados em: araneídeos (aranhas), escorpionídeos (escorpiões) e acarinos (ácaros e carrapatos).

Em algumas espécies os pedipalpos são estruturas presentes que servem para capturar as presas e noutras ainda como órgão da reprodução. Nos solpugídeos os pedipalpos são semelhantes às patas, fazendo parecer que têm cinco pares. As larvas dos ácaros têm apenas 6 patas – o último par só se forma na fase de ninfa.

Os aracnídeos não possuem antenas nem mandíbulas. Apresentam quelíceras ao redor da boca como estruturas envolvidas na manipulação do alimento. Possuem também ao redor da boca um par de pedipalpos, estruturas que podem ter diversas funções. As aranhas e os escorpiões são basicamente carnívoros. Muitos desses predadores possuem glândulas de veneno, que utilizam para paralisar sua presa.

Respiração

Os aracnídeos respiram por filotraqueias, também denominadas pulmões foliáceos, as quais possuem lamelas que aumentam a superfície de troca gasosa no indivíduo. Nas aranhas, além das filotraqueias existem as traqueias, embora em algumas espécies menores a respiração seja cutânea.

Alimentação

Os animais desta classe são geralmente carnívoros, sendo todos predadores. Algumas espécies possuem glândulas inoculadoras de veneno com as quais podem matar ou imobilizar as suas presas que são capturadas e mortas com a ajuda dos pedipalpos e quelíceras. A digestão ocorre parcialmente fora do corpo ocorrendo através de enzimas que farão uma pré-digestão. O fluido alimentar é sugado por uma faringe bombeadora ou por um estômago bombeador, no caso das aranhas, sendo uma digestão lenta. É o veneno que paralisa e faz a pré-digestão dos tecidos, facilitando a digestão. A aranha possui uma glândula inoculadora de veneno para cada quelícera. Algumas espécies são parasitas.

Reprodução

Os aracnídeos são dioicos e reproduzem-se por fecundação interna, e produzem ovos, de onde saem indivíduos imaturos, mas semelhantes aos progenitores (sem metamorfoses). Os pedipalpos nas aranhas, podem ser modificados nos machos possuindo bulbos se enchem de esperma funcionando como órgão copulador. Em algumas espécies de aracnídeos, por exemplo os escorpiões, também é utilizado o espermatóforo, que são “pacotes de espermatozoides”, sendo que o macho deve atrair a fêmea até o espermatóforo para que ocorra a fecundação. Nos escorpiões, a abertura genital fica ao lado dos pentes, podendo ter relação com a reprodução (percebe também estímulos sexuais); Na hora da reprodução mantêm uma certa distância por causa dos ferimentos que podem ser causados pelo aguilhão (imune ao próprio veneno); O macho do escorpião produz um espermatóforo (cápsula) e conduz a fêmea para que ela possa se fecundar (reprodução indireta); Nas aranhas, depois de nascidos, os filhotes se depositam sobre a fêmea; Pode-se ter casos de teia comunitária para os filhotes. Existem espécies de aranhas que, depois do acasalamento, o macho tem que dar de “presente” um inseto a fêmea ou será morto por ela. Após ganhar o presente a aranha fêmea enrola o inseto nas teias e o macho foge. O Filo Arthropoda abriga, entre outros, o Subfilo Chelicerata. Indivíduos desse grupo apresentam, geralmente, corpo dividido em cefalotórax e abdome. Possuem um par de quelíceras, quatro pares de pernas, olhos simples e órgãos táteis e olfativos. Além disso, não possuem antenas nem mandíbulas.

Os quelicerados são classificados em algumas classes, sendo a Arachnida uma delas. Nesta, escorpiões, aranhas, opiliões, ácaros e carrapatos são seus representantes. Quase em sua totalidade, os indivíduos desta classe são terrestres.

Carrapatos e opiliões possuem o cefalotórax e abdome fundidos. Nas aranhas, há fiandeiras nesta região que são responsáveis pela confeção de suas teias. Escorpiões têm pré-abdome e pós-abdome (ou cauda): é na extremidade deste último onde se localiza o aguilhão, região onde o veneno é armazenado.

O segundo par de pernas dos opiliões funciona como antenas, usadas para reconhecer o ambiente. A maioria destes é onívora, manipulando os alimentos com o auxílio de quelíceras e pedipalpos. Essas últimas estruturas são apêndices sensoriais que, nos escorpiões, são utilizadas como preensoras e, em alguns machos desta classe, pode atuar como órgãos de cópula.

Escorpiões, opiliões e aranhas têm digestão extracorpórea, secretando enzimas digestivas no alimento para depois sugá-lo. Carrapatos são, geralmente, hematófagos. Ácaros podem ser herbívoros ou detritívoros, se alimentam de escamas de pele.

Esses animais segmentados têm respiração traqueal, sendo que algumas aranhas maiores possuem esta estrutura modificada (filotraqueia). A excreção é feita via túbulos de Malpighi, sendo eliminada pelas glândulas coxais.

A reprodução da maioria destes animais é sexuada, com fecundação interna. Aranhas, escorpiões e opiliões têm desenvolvimento direto. Ácaros, indireto.

Inoculadores de veneno

  • Escorpião – através do aguilhão;
  • Aranha – através das quelíceras;
  • Pseudo-escorpião – através dos pedipalpos;

Obs : A grande maioria das aranhas não apresenta importância médica, sendo que no Brasil são apenas três que oferecem perigo, a aranha-marrom (Loxosceles), a armadeira (Phoneutria) e a viúva-negra (Latrodectus).

Anatomia Funcional

  • O pulmão foliáceo é uma abertura ventral para onde o ar entra e levam o oxigênio para a corrente sanguínea que vai oxigenar todo o sangue. Os pulmões não são utilizados por todos os aracnídeos;
  • As aranhas possuem tanto traqueias quanto pulmões;
  • O sistema traqueal, a abertura é chamada espiráculo leva o oxigênio diretamente para todos os tecidos;
  • Animais que respiram por traqueias não apresentam pigmentos sanguíneos, pois não é o sangue que transporta o oxigênio.
  • Coração tubular dorsal continuando anteriormente e posteriormente por uma aorta, no coração há a presença de óstios:
    • Aranhas: 3 pares de óstios.
    • Escorpiões: 7 pares de óstios.
  • Os aracnídeos possuem glândulas coxais na base das patas que faz comunicação com o exterior eliminando as excretas;
  • Os aracnídeos perdem pouca água na forma de excreta;
  • Todos os líquidos que banham o túbulo de Malpighi são filtrados entre o intestino médio e o intestino posterior, as excretas são eliminadas juntas com as fezes pelo ânus;
  • Alguns possuem tanto túbulos de Malpighi quanto glândulas coxais;
  • Intestino – é arborescente, para ter uma maior área de absorção;
  • O intestino médio aumenta a produção de enzimas e a região de absorção;
  • Principal resíduo nitrogenado é a guanina;
  • Tricobótrios – são pelos sensoriais que percebem a vibração de corrente de ar;
  • Órgãos em Fenda – espalhados por todo o corpo principalmente nos apêndices e percebem a tensão no esqueleto, e também deteta as informações sonoras;
  • Pente – presente somente em escorpiões, com função de perceber vibrações no substrato (reprodução);
  • O orifício genital de ambos os sexos está localizado na região ventral do segundo segmento abdominal. Muitos têm transmissão indireta de espermatozoides através de um espermatóforo;
  • Podem ser ovíparos ou vivíparos;
  • Pode ter cuidado parental, ou seja, pais cuidando “atenciosamente” dos filhotes.
  • A diferenciação do sexo das aranhas segue pela extremidade dos palpos sendo que é diferente nos machos, com o apêndice usado para transmitir espermatozoides para a fêmea;

Classificação

Conhecida por sua má-fama, a Viúva-Negra pode ser mortal por causa de seu veneno

  • Trigonotarbida – extintos
  • Amblypygi – amblipígeos, aracnídeos com primeiro par de patas muito alongadas (cerca de 160 espécies)
  • Araneae – aranhas (cerca de 40.000 espécies)
    • Mesothelae – aranhas primitivas, muito raras
    • Opisthothelae – todas as outras aranhas
      • Araneomorphae – aranhas mais comuns
      • Mygalomorphae – aranhas caranguejeiras
  • Phalangiotarbida – extintos
  • Opiliones – opiliões, aranha-alho ou temenjoá (mais de 6.300 espécies)
  • Palpigradi – muito pequenos, raramente encontrados (cerca de 71 espécies)
  • Pseudoscorpiones – pseudoescorpiões (mais de 3.300 espécies)
  • Ricinulei – ricinuleídeos (cerca de 73 espécies)
  • Schizomida – esquizomídeos (cerca de 180 espécies)
  • Scorpiones – escorpiões (cerca de 2.000 espécies)
  • Solifugae – solífugos ou solpugídeos (cerca de 900 espécies)
  • Haptopoda – extintos
  • Thelyphonida – escorpiões-vinagre (cerca de 100 espécies)
  • Acari – ácaros e carrapatos (cerca de 30.000 espécies)
    • Acariformes
      • Sarcoptiformes
      • Trombidiformes
    • Opilioacariformes
    • Parasitiformes

A classe Arachnida inclui as aranhas, os escorpiões, os ácaros e os carrapatos. Apesar de existir grande diversidade de formas entre os aracnídios, eles apresentam muitas características em comum.

O corpo é geralmente dividido em cefalotórax e abdome, que, nos aracnídeos, pode também receber os nomes de prossomo e opistossomo, respectivamente. Nos escorpiões, o abdome encontra-se diferenciado em pré-abdome, mais alargado, e pós-abdome alongado e muitas vezes chamado de cauda. Nos ácaros, não se percebe a divisão entre cefalotórax e abdome, que formam uma estrutura única.

 

 

Os aracnídeos diferem dos outros artrópodes por não possuírem antenas nem mandíbulas. Eles possuem, como estrutura desenvolvida com a manipulação do alimento ao redor da boca, as quelíceras, fato que deu ao grupo o nome de animais quelicerados, ao contrário dos insetos, crustáceos e miriápodes, que, por possuírem mandíbulas, são chamados de mandibulados. Além das queliceras, os aracnídeos possuem ao redor da boca, um par de pedipalpos, estrutura que pode ter funções das mais variadas dependendo do grupo. Os pedipalpos também são estruturas exclusivas dos quelicerados, não ocorrendo nos mandibulados.

Outra característica importante dos aracnídeos é a presença de quatro pares de pernas no cefalotórax. O abdome não contém apêndices, embora nos escorpiões exista uma par de apêndices sensoriais denominado pente, localizado logo no início do pré-abdome. Verifica-se, na região posterior e ventral do abdome das aranhas, as fiandeiras, estruturas associadas a glândulas de seda, que produzem os fios de seda com os quais elas tecem as teias.

Ao contrário dos insetos e crustáceos, que possuem olhos compostos, os aracnídeos possuem apenas olhos simples.

Os aracnídeos são artrópodes terrestres, embora exista um grupo de ácaros adaptados ao ambiente de água doce e marinho: o grupo dos Hydracarina, com 2800 espécies. A maioria dos aracnídeos é predadora, mas no grupo dos ácaros ocorre espécies parasitas de planta e de animais.

É o caso do ácaro causador da sarna (Sarcoptes scabiei), do ácaro dos folículos pilosos e glândulas sebáceas do homem, popularmente chamado de cravo (Demodex foliculorum), e dos carrapatos, como é o caso do gênero Dermacentor.

Ao lado: O ácaro causador da Sarna

Alimentação e veneno

As aranhas e os escorpiões são basicamente carnívoros, predando outros artrópodes e pequenos animais. Muitos possuem glândulas de veneno, que utilizam para paralisar a suas presas. Nas aranhas, estas glândulas estão associadas às quelíceras e, nos escorpiões, ao aguilhão ou télson, que corresponde a uma modificação do ultimo segmento do pós-abdome.

O veneno da maioria das aranhas e dos escorpiões não é tóxico para o homem, mas existem espécies que podem representar algum perigo, especialmente para crianças. Entretanto, o número de casos fatais é baixo e existem soros contra a picada desses animais.

Os aracnídeos são possuem mandíbulas para triturar o alimento, utilizando-se de suas quelíceras para segurar e dilacerar a presa. Eles ingerem somente alimento liquefeito e, para isso, lançam enzimas digestivas sobre os tecidos dilacerados da presa. O alimento é, então, parcialmente digerido fora do corpo do aracnídeo (digestão extracorpórea), formando um “caldo” que é sugado para o interior do estômago (estômago bombeador), associados a músculos. A digestão prossegue no interior do trato digestivo, e os restos não aproveitáveis são eliminados através do ânus.

Sistema excretor dos aracnídeos

A excreção nos aracnídeos é feitas por túbulos de Malpighi, semelhantes aos dos insetos, e também por glândulas localizadas na base das pernas, denominadas glândulas coxais.

Sistema respiratório dos aracnídeos

A respiração é feita por filotraquéias, também denominadas “pulmões foliáceos”. Essas estruturas são formadas por lamelas irrigadas, que se comunicam com o exterior do corpo, através de um orifício denominado estigma.

As trocas gasosas ocorrem nas lamelas, e o oxigênio passa para o sangue. Nos escorpiões, essas são as únicas estruturas respiratórias, mas nas aranhas além das filotraquéias, existem as traquéias, semelhantes às dos insetos.

Sistema nervoso dos aracnídeos

Muitos gânglios fundidos estão concentrados em determinados pontos do cefalotórax. O sistema nervoso da aranha é bem desenvolvido. De modo geral, existem oito olhos simples, localizados dorsalmente na metade anterior da placa cefalotorácica, com variada capacidade de elaboração de imagens, nem sempre bem interpretadas. Porém, são capazes de discriminar movimentos, razão pela qual devemos oferecer-lhes presas vivas, que se movam.

Nas aranhas há muitos pêlos sensoriais (cerdas táteis) espalhadas pelo corpo, principalmente nos apêndices articulados. Como as aranhas não têm antenas, esses pêlos e outras estruturas sensoriais representam importante mecanismo de relacionamento desses animais com o meio ambiente e são excelentes auxiliares na percepção da existência de presas e inimigos. Certas estruturas sensoriais em forma de fendas, localizadas nas patas, são responsáveis pela percepção de vibrações. É por isso que se diz que as aranhas “ouvem” pelas patas.

Sistema reprodutor dos aracnídeos

Os aracnídeos são animais de sexos separados, e a sua fecundação é interna. Os machos são geralmente menores do que as fêmeas, com as quais desenvolvem todo um comportamento de “corte”. Eles não possuem pênis para introduzir os espermatozóides no corpo das fêmeas, mas desenvolveram outro mecanismo para isso.

Nas aranhas, os machos desenvolvem, na extremidade dos pedipalpos, uma dilatação bulbosa onde armazena os espermatozóides; usam, então, os pedipalpos para fecundar a fêmea. As fêmeas põem os ovos fecundados no interior de sacos de seda construídos por elas. Dos ovos eclodem jovens semelhantes aos adultos. O desenvolvimento é direto.

Nos escorpiões, o macho une-se à fêmea e deposita no solo uma massa de espermatozóides dentro de um envoltório. Em seguida posiciona a fêmea sobre essa massa, de modo que os espermatozóides penetrem seu orifício genital. A fecundação é interna, nascendo os jovens escorpiões direto do corpo da fêmea; eles são vivíparos.