Equinos / Selas e estribos

Equinos / Selas e estribos

A sela é o equipamento que se acomoda sobre a região dorso-lombar do eqüino, possibilitando um assento mais seguro para cavaleiro/amazonas. Antes de seu surgimento, alguns séculos atrás, os cavalos eram montados “a pêlo”, somente com a manta de proteção para a vestimenta dos cavaleiros. Este foi, inclusive, o modo de cavalgar dos lendários índios americanos, mesmo após o advento das selas.
As primeiras selas foram desenvolvidas visando atender necessidades básicas no transporte, tração leve, esportes e, infelizmente, nas guerras. A sela foi uma evolução dos arreios antigos, pesados e grosseiros no acabamento, ainda hoje largamente utilizados no Brasil, em animais de serviço.
Saber escolher uma sela é preservar o bom desempenho atlético do eqüino, proporcionando-lhe conforto, bem como para o cavaleiro, a fim de que este tenha condições de transmitir com eficiência os comandos da nobre arte da Equitação. É bem verdade que existem poucos modelos nacionais que se encaixam adequadamente aos variados biótipos de nossos cavalos (fator de variação: Raças) e aos seus cavaleiros/amazonas. Aspectos ligados à tradição e cultura envolvendo a história das raças também influenciam o arreamento e trajes típicos. A exemplo das embocaduras, para cada atividade eqüestre específica é indicado um modelo de sela, de acordo com seu formato, tamanho de peso.
Partes componentes e funções:

Cepilho (ou cabeça) :
A altura, largura e forma do Cepilho variam consideravelmente, sendo o principal aspecto que diferencia os modelos de selas, como será visto mais adiante. O Cepilho não deve ser muito baixo, para não pressionar em demasia a região da cernelha, principalmente se esta apresenta uma conformação indesejável (“cortante”). Mas o Cepilho não deve exceder em altura a Patilha (encosto). Neste caso, haverá um deslocamento excessivo do assento do cavaleiro para trás, pressionando indevidamente a região renal do cavalo e alterando o equilíbrio dinâmico. Para a verificação da altura ideal do Cepilho, basta colocar a sela sem a manta e montar. Mesmo com o peso do cavaleiro, uma distância entre 2 e 4 cm deve ser mantida em relação ao dorso. Quanto à largura do Cepilho, se este for muito volumoso exerce certo desconforto nas partes internas das coxas do cavaleiro. Já a forma do Cepilho tem estreita relação com a funcionalidade do cavalo. Por exemplo, para as provas de laço e apartação, executadas pelo cavalo Quarto de Milha, o Cepilho deve ser saliente e largo, a fim de possibilitar a amarração do laço, conferindo apoios seguros ao cavaleiro. Nas vaquejadas, o cavaleiro necessita de mais liberdade para derrubar o boi, o que é facilitado por uma sela de Cepilho “mocho”. Para cavaleiros inexperientes, selas com Cepilho alto, em meia-lua ou em forma de canga, favorecem o ato de montar e desmontar, possibilitam o apoio das mãos em situações de dificuldade, além do melhor apoio às pernas. Mas cuidado, este tipo de Cepilho não deve ser muito inclinado, pois poderá incomodar as partes superiores das coxas.

Patilha (encosto):
A altura e a inclinação da Patilha também variam bastante, mas geralmente não caracterizam, como as variações do Cepilho, modelos específicos de sela. Se a inclinação é muito acentuada, deslocará o assento para trás. Ao contrário, se for alta e pouco inclinada, o cavaleiro poderá sentir um desconforto em suas vértebras coccigianas. Teoricamente, o ideal é uma Patilha de altura e inclinação moderadas. Contudo, algumas atividades específicas exigem variações neste ideal. É o caso, por exemplo, do Turfe, onde os jockeys montam com um mínimo, ou nenhum, contato no assento, em selas de Patilha baixa.

Assento:
O assento da sela deve tender ao dianteiro, ser fundo e confortável. O correto é que o peso do cavaleiro seja mais direcionado sobre a região dorsal, o que não ocorre com um assento traseiro, que pressiona mais a região do lombo, sob a qual estão os rins, órgãos de muita sensibilidade. Um Assento correto da sela favorece a boa equitação, que busca a manutenção do equilíbrio do centro de gravidade da massa corpórea do eqüino. Este objetivo não será facilmente alcançado em selas com assento raso, plano. Já o conforto do assento é essencial para não tornar a equitação dolorosa para pele e músculos das coxas e nádegas do cavaleiro (ou amazonas).

Suador:
É a parte inferior da sela, que exerce pressão direta sobre a região dorso-lombar, apoiando-se sobre as mantas. Sem esta proteção, os atritos diretos resultam em pisaduras, que são lesões abertas que se desenvolvem ao longo da Cernelha, Dorso e/ou Lombo, sendo de difícil cicatrização. Se a equitação é correta , a principal pressão exercida pelo suador será sobre a junção Espáduas/Cernelha e parte do Dorso. O suador tem um enchimento que atua como amortecedor, podendo ser de capim, lã ou poliéster . A lã é o material que melhor absorve o calor. Se o enchimento é irregular, pontos de pressão também serão irregulares. Neste caso, para verificação, retirar a sela após o trabalho e observar se a área do suor está uniforme ou não. A conformação das regiões das Espáduas, Cernelha, Dorso e Lombo, além do Arco-costal, guardam uma estreita relação com a inclinação do suador. Assim, se o cavalo é volumoso em sua região torácica, exigirá uma sela de suador mais aberto. Já no caso inverso, exigirá uma sela de suador mais fechado. A pressão do suador não deve limitar os movimentos das espáduas. Para tanto, a sela deve ser bem posicionada, a partir do meio da Cernelha. Como o Dorso é uma região que varia muito na sua conformação e tamanho, sendo ainda afetado pela sua direção, condição da estrutura muscular e pelo peso do cavaleiro, torna-se quase impossível encontrar uma única sela adequada para todos os eqüinos.
Os modelos mais antigos de selas não foram projetados para cavalos mais brevelineos. Com freqüência, estas selas sobram na dianteira e na traseira, atritando fortemente as Espáduas e o Lombo. Defeitos de conformação, tais como o Dorso e/ou o Lombo com lordose (depressão), com Cifose (saliência, Dorso de Carpa), com Escoliose (desvio lateral) ou com deficiência de estrutura muscular, dificultam o ajuste correto da sela. Outro defeito comum da conformação do tronco é o caso do cavalo menso (altura da garupa superior em mais de 2 cm a altura da Cernelha), que geralmente têm Dorso-Lombo mergulhante, o que gera pressão adicional sobre a Cernelha. Para este tipo de cavalo, a sela precisa de mais altura no Cepilho.
Em todos os haras devem estar disponíveis selas para cavalos de Dorso delgado ou volumoso, de tronco brevelíneo ou longelíneo. Em alguns modelos de selas, o Suador é flexível, possibilitando uma melhor acomodação em cavalos mais magros ou mais gordos
Nas selas utilizadas na Equitação Clássica, o contato do cavaleiro com sua montaria deve ser o mais próximo possível, não sendo indicado o enchimento excessivo do suador. De fato, as autênticas selas inglesas nem mesmo exigem o uso de mantas, sendo o suador macio e maleável.

Armação :
É a estrutura da sela, podendo ser de ferro (torna a sela mais pesada), de aço, de madeira (peso moderado), ou de fibra (torna a sela mais leve). O peso médio das selas nacionais oscila nos 13 Kg, em média, com uma larga variação, sendo as selas do cavalo Quarto de Milha mais pesadas, com peso acima dos 20 Kg. Já as selas do cavalo de corrida (Puro Sangue Inglês) são as mais leves, com peso em torno dos 5 Kg. Sempre é bom lembrar que o cavalo carrega, além do cavaleiro, o peso extra de todo o arreamento. Este peso total poderá limitar o desempenho atlético do eqüino em algumas atividades especializadas.

Abas e Sobre-abas :
As abas, quando suficientemente longas, funcionam como pára-lamas, sendo que a forma e o tamanho variam bastante, com predomínio da inclinação dianteira, com recorte em forma arredondada Algumas abas têm uma saliência para apoio dos joelhos. Já as sobre-abas são curtas, de função apenas estética. Mas em alguns modelos de selas, como em todos os arreios, não há abas, sendo necessários os pára-lamas, a fim de conferir proteção às calças. Nas selas de Equitação Rural, as abas devem ser mais retilíneas, de acordo com o posicionamento e ação variáveis das pernas do cavaleiro. Já nas selas de Equitação Clássica, as abas são mais inclinadas, pela posição mais curvada das pernas.

Pára-lamas (Lameiras):
Exercem a função de proteger a calça do cavaleiro/amazonas. Mas é uma peça dispensável, caso as abas sejam longas e o cavaleiro estiver usando botas de cano alto. Sem os pára-lamas a sela fica mais leve, além do melhor conforto para as pernas. Geralmente, os pára-lamas não se encaixam bem nos loros.

Estribos:
Exercem a função de servir de apoio para os pés, evitando que estes balancem com os deslocamentos do cavalo. Estribar é o nome que se dá ao ato de forçar os estribos com os pés, o que é incorreto na Equitação de Alto Escola, mas podendo ocorrer na Equitação Rural. A forma dos estribos varia, sendo ideais os estribos em forma de sino, porque não prendem os pés com a facilidade dos estribos redondos, o que seria perigoso no caso de quedas. Outra vantagem é o melhor apoio que os estribos em forma de sino proporcionam, principalmente se a base é larga e revestida em borracha. Uma base larga é necessária nos estribos de selas para Enduro, atividade onde há mais chances do cavaleiros perder o apoio nos estribos. Um tipo especial de estribo é o “salva-vidas”, de base móvel. Já nas selas antigas, ou até mesmo nas modernas para crianças, os estribos são envolvidos por uma armação de ferro com revestimento em couro, para acomodar os pés, tendo a vantagem de conferir maior proteção, mas são estribos pesados, limitando um pouco a liberdade de movimentos dos pés. A maioria das selas de Hipismo Rural têm estribos revestidos em couro nos aros e no apoio. Já nas selas de Hipismo Clássico, ou as de Corrida e Adestramento, os estribos não são revestidos. O material que se utiliza para a fabricação dos estribos pode ser o aço inoxidável, metal, ferro, ou alumínio.

Loros:
São as peças de couro que sustentam os estribos, sendo presos na armação da sela através de argolas. Devem estar em uma posição perfeitamente paralela à barrigueira. Em uma sela de posicionamento traseiro os loros estarão posicionados em uma diagonal sobre a barrigueira. O mesmo acontece em uma sela de posição dianteira, só que de trás para a frente. O ajuste da altura dos estribos pode ser feito através de fivelas ou de encaixe. No caso de fivela, esta deve ficar embutida sob as sobre-abas, para não incomodar as coxas do cavaleiro. Um ponto crítico dos loros é na sua união com a argola. Com o decorrer do tempo de uso, poderá ocorrer um desgaste dos loros neste ponto, com riscos de acidentes nas competições. Em selas com pára-lamas os loros passam pelas alças. Já em alguns modelos de selas inglesas os loros têm encaixe de saída livre na parte superior da aba.

Barrigueira e Cilha:
A barrigueira, como o próprio nome indica, é uma peça que passa pela barriga do cavalo, tendo a finalidade de ajustar a sela. A cilha é uma peça mais estreita, que passa pela região do Cilhadouro, logo atrás do Codilho. Nas selas inglesas não se usa barrigueira, mais por tradição do que pela falta de necessidade. Na verdade, existem muitas controvérsias quanto à indicação do uso da barrigueira. O argumento contra o seu uso é o de que ela interfere na dinâmica de locomoção. Entendo que esta limitação ocorre somente quando a barrigueira for demasiadamente apertada. O fato é que, principalmente na prática do Hipismo Rural, a barrigueira torna-se imprescindível, para melhor firmar a sela.