Cães / Agressividade

Cães / Agressividade

Agressividade-Em-Caes-Razoes-e-Tipos-2Uma dúvida freqüente de proprietários diz respeito ao problema dos cães agressivos e como agir para evitar que os cães se envolvam em acidentes graves como ataques a pessoas e crianças.

Especialmente após a divulgação de diversos casos de acidentes envolvendo cães de raças consideradas agressivas, a preocupação dos proprietários cresceu muito e este texto pretende auxiliar na compreensão do porquê os acidentes acontecem.

Em primeiro lugar é importante frisar que apesar de acidentes causados por cães de grande porte e de raças consideradas agressivas virarem notícia, não é deles o maior índice de ataques a pessoas… os pequenos e peludos também mordem… e muito. No entanto, a gravidade destes ataques é proporcional ao tamanho dos cães e por isso podem passar desapercebidos. O ponto central é ter consciência de que qualquer cão pode tornar-se agressivo. As razões para tal são diversas, desde o temperamento do cão até condições ambientais.

Tipos de agressividade

Nem todo cão reage de forma agressiva aos mesmos estímulos. A reação agressiva de um cão vai variar de acordo com a sua personalidade, por isso mesmo é importante que o proprietário tenha a honestidade de avaliar a personalidade do seu cão a fim de evitar possíveis acidentes e, principalmente, agir de forma a corrigir algum traço desviante.

Agressivamente por dominância

Normalmente entram nesta categoria aqueles cães de personalidade mais forte, e de raças consideradas mais independentes. Entram também os pequenos peludos que não são tratados como cães por seus donos e acabam desenvolvendo uma personalidade muito dominante. As chances de ataque aumentam quando, por exemplo, o cão é contrariado pelo proprietário.

Cães dominantes podem reagir agressivamente, também, quando pressentem uma disputa ou quando sentem sua posição hierárquica ameaçada.

Agressividade Pela Posse

A agressividade pela posse é praticamente uma variante da agressividade por dominância, mas apresenta-se de uma forma mais específica. Neste caso o cão sente que precisa defender seus ´bens preciosos´, que podem ser alimento, brinquedo, ou um osso, de quem quer que seja.

Agressividade pela Defesa do Território

A proteção do território é um aspecto instintivo dos cães. Por isso mesmo é que são usados pelos humanos para a função de guarda. O problema, neste caso, é quando a agressividade pela defesa de território ultrapassa as cercas ou muros que delimitam o território real do cão. Neste caso, muito comum a cães de guarda e proteção, a importância de um bom adestramento é fundamental. Cães de guarda precisam ser, antes de tudo, equilibrados e confiar plenamente em seus proprietários, que, por sua vez, não devem estimular comportamentos agressivos não-controlados de seus cães.

Agressividade Para Proteção

A agressividade para a proteção do grupo ou da matilha do cão é um dos principais fatores de acidentes, especialmente porque nestes casos não há o controle do cão pelo proprietário. O cão age por si mesmo e obviamente não tem o discernimento para saber quando parar.

Agressividade Por Medo

A melhor defesa é o ataque. Esta é a filosofia embutida nas reações de um cão quando está com medo. Normalmente ocorre quando o cão é (ou se sente) acuado e teme ser machucado. Nestes casos o cão reage por antecipação, ou seja, nada aconteceu ´ainda´. Esta situação é muito comum em consultórios veterinários e durante sessões domésticas de limpeza de ouvidos, dentes e até mesmo quando o proprietário precisa dar um comprimido ao cão.

Agressividade Redirecionada

O caso mais típico deste tipo de agressividade é quando cães da mesma casa brigam entre si sempre que outro cão passa próximo ao seu portão. Isso acontece quando o cão, impedido de atacar o verdadeiro alvo de sua agressividade, ataca outro indivíduo mais próximo a ele.

Agressividade Predatória

É o caso de um cão que persegue uma alguém quando esta pessoa passa por ele correndo. É possível, inclusive, que quando a pessoa pare de correr, ele pare também, sem machucá-la. Nesta situação o cão age por puro instinto de caça não com a intenção de intimidar ou machucar.

O que pode levar um cão a se mostrar agressivo?

As razões são muitas, mas basicamente há 3 fatores principais:

  • Cães maltratados, que passam a encarar os seres humanos, de maneira geral, como fonte de mal-estar e maus tratos. Nestes casos, para o cão, a melhor defesa é o ataque.
  • Cães treinados para terem comportamento agressivo e que são entregues a pessoas com pouca ou nenhuma responsabilidade e/ou experiência. Nestes casos, é comum que o cão passe a ser o líder da matilha quando percebe a falta de autoridade do proprietário.
  • Distúrbios de comportamento devido a razões genéticas. Aqui encontramos os casos de acidentes envolvendo cães de raças sem a menor tradição de agressividade e que se tornaram muito populares, como os cães de caça (cocker, labrador, por exemplo) e cães de companhia (poodle, york). Podemos citar como fonte deste problema a atuação de pessoas que acasalam e vendem cães sem critérios.

Se estes três são os principais MOTIVOS para a existência de cães agressivos, existem também situações do dia-a-dia que podem levar um cão a atacar uma pessoa.

Agressividade X Dominância.

É muito importante fazermos uma diferenciação clara entre dominância e agressividade.

Dominância

O cão dominante é aquele que sempre tem suas vontades atendidas. Essa dominância, porém, não necessariamente é feita de forma agressiva. Muitos cães dominantes são extremamente dóceis e simpáticos. Daí a razão de raramente conseguirmos dizer NÃO a eles. E toda a questão de dominância se resume nisso: quem é que decide. E quando a vontade que prevalece é a do cão, e não a do dono, temos uma situação clara de cão dominante, e que nada tem de agressivo.

Quando falamos em dominância estamos falando do temperamento do cão. Um cão que sabe ser um bom líder.

Agressividade

Agressividade é o tipo de reação que um cão apresenta. É a forma com que este cão responde aos estímulos externos: age de forma violenta; impulsiva; exagerada. A Agressividade, como escrevi no artigo anterior, pode ser detonada por várias razões, como medo, possessividade, e (também) dominância.

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O Papel do Proprietário

A base para uma história com final feliz é saber escolher bem a raça do cão que você quer ter. Conhecer o temperamento de cada raça é fundamental para uma escolha bem feita. Tudo é importante: se é uma raça agitada ou não (cães muito ativos ficam tremendamente ansiosos ao lados de donos muito sedentários); se é uma raça fácil de se educar ou não; se costuma ser agressivo ou não, etc. O ideal é que você escolha a raça mais adequada ao seu temperamento e ao seu estilo de vida. Se você é marinheiro de primeira viagem deve evitar as raças mais teimosas como o beagle; cocker; teckel; pit bull, rottweiller, etc. Essas raças requerem donos experientes, que saibam se impor de forma incontestável.

Chegamos, então, à escolha do filhote. Ao chegar no canil, peça para que sejam separados os filhotes do sexo que você quer. Observe muito bem os filhotes, e repare em como eles se comportam.

  • Os filhotes mais audaciosos tendem a ser mais dominantes, exigindo uma postura muito clara de seu dono como líder. Devem ser evitados pelos principiantes. Podem tornar-se agressivos, se não forem devidamente treinados.
  • Os filhotes muito medrosos também devem ser evitados. Muitos deles acabam tornando-se agressivos. Como eles não confiam em seu líder para garantir a segurança da matilha, tomam decisões sem serem aptos para tal. Não sabem avaliar uma situação de perigo real, e tornam-se até mais perigosos que os cães dominantes, pois estes dominam a situação, o cão medroso não. Ele ataca às cegas.
  • O ideal é que se escolha os filhotes que tenham um comportamento intermediário entre estes 2 tipos. Você pode até levar um “dominante-bonzinho”, mas dificilmente levará uma fera.

Depois de escolhido o filhote, vamos ver como e onde este filhote vai morar. É importante que este filhote possa ter espaço (e brinquedos) para brincar e se distrair; que tenha água e comida de acordo com seu tamanho e necessidade; que seja socializado com outros cães e humanos; e o mais importante: que ele receba muito carinho e sinta-se acolhido em sua casa.

Partimos, agora, para a questão da educação de seu cão. É muito importante que seu cão te obedeça; te respeite como líder; e saiba obedecer aos comandos básicos.

O mais importante, no entanto, é prestar muita atenção para não recompensar comportamentos agressivos do cão. São muitas as situações corriqueiras em que recompensamos comportamentos agressivos, sem nos darmos conta disso. Veja só algumas delas:

  • O dono vai colocar a coleira no cão, e este (assustado) ameaça morder, e o dono recua o braço, fazendo com que a ação pare. Este dono acabou de ensinar ao Lulu, que a situação que o assustava acabou quando ele ameaçou morder o dono. Adivinha o que ele irá fazer quando se sentir assustado de novo?
  • O proprietário sai para passear com seu cão na rua. Toda as vezes em que o cão reage agressivamente à aproximação de outras pessoas ou animais, o dono afaga o cão dizendo “… amigo…” ou “… calma…”, etc. Este cão entenderá que está sendo recompensado por agir agressivamente. Terá certeza de que é este o comportamento que seu dono quer dele, afinal o recompensa sempre que age assim.
  • Você está com um alimento qualquer nas mãos (até mesmo biscoito canino), e seu cão pula em você, arrancando o que você tinha na mão. Mais uma vez vemos um cão que foi recompensado por um ato violento: ele ficou com o alimento. Mesmo que depois você tire o alimento da boca dele, a imagem que fica, pra ele, é a de que ele pode roubar sua comida, arrancando-a de você.

Enfim, toda vez que o cão é recompensado por ter uma atitude agressiva, contribui para um comportamento nocivo. E a máxima “é melhor prevenir do que remediar” aqui também cabe. Todo comportamento agressivo do cão deve ser contido com veemência.

Se seu cão rosna para outro na rua, dê um tranco na guia dele e diga NÃO! Continue dando trancos, até que ele se acalme. Então afague-o.

Socializar o filhote é a melhor maneira de combater a agressividade dos cães.

Você deve ficar bastante atento ao comportamento de seu cão, durante o seu crescimento. Se ele der sinais de agressividade antes dos 6 meses de idade, você deve procurar um especialista em comportamento. Só ele poderá avaliar o real grau de agressividade que seu cão apresenta, ou não. Uma atitude agressiva na idade entre 6 meses e 1 ano é bem mais aceitável, desde que dentro de limites claros: se o cão fere alguém intencionalmente, é hora de procurar o especialista.

A grande dificuldade da resolução deste problema, é que na maioria das vezes o proprietário do cão demora muito a reconhecer o quão agressivo seu cão é. E quando percebe, já é tarde demais. Estes proprietários acham tal comportamento normal, principalmente se esses cães forem cães de guarda. Mas lembre-se: o fato dele se rum cão de guarda, não lhe dá autorização para ser violento. O cão de guarda deve ser violento com quem nos ataca. Mas com os donos, ele deve ser leal e obediente!