Bovinos / Vacas Leiteiras

Bovinos / Vacas Leiteiras

Aspectos gerais

Recomenda-se que, pelo menos uma vez por mês, seja mantido no historial a produção
diária de leite de cada vaca leiteira e deve ser monitorizada com as curvas
apropriadas de produção de leite da exploração.
Estes números e outros dados que estejam disponíveis devem ser usados como
ferramenta de gestão, no sentido de identificar precocemente possíveis problemas de
bem-estar.
Quando se oferecer apenas alimentação concentrada seca a vacas leiteiras, deverá
normalmente limitar-se as quantidades até um máximo de 4kg por cada alimentação,
para reduzir o risco de acidose do rúmen (demasiados grãos no rúmen que induzam a
problemas digestivos) e outras desordens metabólicas.
Deverá remover-se dos comedouros todo o alimento antigo ou estragado, que possa
contaminar a alimentação fresca e estragar o apetite dos animais.
Se se introduzirem vacas de alto potencial genético num efectivo leiteiro (ou seja,
vacas que tenham sido seleccionadas para uma produção de leite elevada), deverá
consultar-se um especialista em nutrição.
Um metabolismo elevado nestas vacas significa que têm um maior risco de:

– mamites;
– coxeiras;
– problemas de fertilidade;
– desordens metabólicas.

Estes animais necessitam, potencialmente, de um maior rigor de gestão e nutrição
para manter um nível satisfatório de bem-estar.
Quando vacas leiteiras de grande produção são alimentadas com silagem e palha,
deverão analisar-se amostras do alimento, para verificação do seu valor nutricional.
Se necessário, deverá obter-se conselho de um especialista, por forma a suplementar
a dieta de acordo com a idade dos animais.
Deverá também ser analisada a qualidade dos alimentos adquiridos (incluindo produtos
derivados, como cevada), caso o fornecedor não disponibilize uma análise do produto.
As vacas leiteiras secas deverão rapidamente ser retiradas e colocadas numa dieta
nutritiva de pasto, que mantenha os seus níveis de condição física.
De duas a três semanas antes do parto, deverá introduzir-se gradualmente a ração de
produção (isto é, deverá introduzir-se faseadamente uma dieta pós-parto, mais
energética) para evitar uma mudança repentina de dieta.

Mamites

Como qualquer outra infecção, a mastite pode causar angústia e sofrimento ao animal,
devendo ser controlada, através de:

– gestão higiénica dos tetos (mantendo os tetos limpos);
– rápida identificação e tratamento de casos clínicos;
– gestão e terapia de vacas secas;
– manutenção de um historial;
– abate de vacas cronicamente infectadas;
– manutenção e teste regular das máquinas de ordenha.

Ordenha

As vacas leiteiras nunca devem ser deixadas por ordenhar ou com úberes demasiado
cheios.
O tratador que ordenha vacas, incluindo um colaborador temporário, deverá ter
competência e experiência, para o efeito.
Idealmente, deverá ser administrado um treino àqueles que ordenham, que inclui um
período de “estágio” orientado por operadores treinados e competentes.
É essencial que uma máquina de ordenha respeite:

– o conforto das vacas;
– optimização do rendimento de ordenha;
– saúde do úbere.

Durante cada sessão de ordenha, deverão efectuar-se verificações simples (como o
nível de vácuo) e proceder a acções de manutenção de rotina para verificar se a
máquina de ordenha está a funcionar devidamente.
Quando necessário, deverá efectuar-se a manutenção da máquina de ordenha, de
modo a que não haja lesões nos tetos causadas pela máquina e que as flutuações
cíclicas de vácuo estejam dentro dos limites recomendados.
Poderá eventualmente existir necessidade de conselho de um especialista na matéria.
As instalações e máquinas de ordenha deverão ser testadas, independentemente de
serem novas ou não, para controlo da sua correcta operação e funcionamento, de
acordo com as recomendações dos fabricantes.
Anualmente, um operador treinado e competente deverá efectuar uma verificação
completa a toda a maquinaria, no sentido de avaliar o seu correcto funcionamento e
para efectuar qualquer reparação ou ajuste quando necessários.
O tempo que as vacas têm de esperar para serem mungidas deve ser o menor possível.
Os cubículos individuais deverão ter uma dimensão suficiente relativamente à
corpulência das vacas a ordenhar e para facilitar a entrada e saída dos animais, com
o mínimo de stress.
As áreas de entrada e saída da zona de ordenha, onde os animais tenderão a confluir,
deverão ser suficientemente largas e ter chão não escorregadio para que os animais
se movam facilmente.
Quando forem utilizados portões automáticos de suporte em recintos de ajuntamento,
estes deverão ser desenhados de modo a encorajar as vacas leiteiras a moverem-se
na direcção da sala de ordenha.
Estes portões não deverão ser electrificados.