Bovinos / Sistemas de Engorda

Bovinos / Sistemas de Engorda

Aspectos gerais

Como os vitelos são os mais susceptíveis às doenças, é essencial manter uma boa
higiene dos alojamentos e equipamentos, nomeadamente os utilizados na alimentação
de substituição.
(Entende-se como vitelo um animal com menos de 6 meses.)

Inspecção

O Decreto-Lei n.º 48/2000, de 10 de Fevereiro, estabelece que:
Todas as crias alojadas, para efeito de criação e engorda, deverão ser
inspeccionadas pelo tratador, pelo menos duas vezes por dia, de forma a se
verificar o seu nível de bem-estar.
Crias que sejam mantidas no exterior deverão ser inspeccionadas pelo detentor, ou
tratadas, pelo menos uma vez por dia, para assegurar o seu bem-estar.
É importante que a observação dos vitelos seja feita de forma cuidadosa, por forma
a se identificarem sinais de diarreia ou doenças respiratórias, como tosse, respiração
rápida ou difícil, as quais se podem disseminar rapidamente.
Quando se adquirem vitelos, estes deverão ser logo inspeccionados, à chegada e antes
de entrar em contacto com outros animais da exploração.
Será necessário avaliar o seu estado geral de saúde, prestando particular atenção à
postura, respiração e condição do seu nariz, olhos, umbigo, ânus, patas e pernas.
Após cuidadosa inspecção de qualquer cria que tenha sido adquirida, esta deverá
descansar em condições confortáveis por umas horas e depois ser-lhe fornecida uma
primeira refeição de leite ou outro líquido apropriado, como uma solução
electrolítica.
Deverá também ser mantida afastada de outras crias durante o tempo necessário,
para a prevenção de qualquer possível infecção cruzada.
Quando os animais são alimentados com leites de substituição, estes deverão ser
objecto de um acompanhamento mais atento.
Se os vitelos tiverem um consumo reduzido ou mais lento da refeição, isto revela
normalmente um sinal precoce de doença.

Vitelos doentes e feridos

O Decreto-Lei n.º 48/2000, de 10 de Fevereiro, define que:
Quando se considerar crias doentes ou feridas devem ser isoladas em acomodações
com camas confortáveis e secas.
Devem isolar-se e tratar os vitelos que apresentem sinais de doença.
As respostas ao tratamento poderão ser avaliadas através da monitorização das
temperaturas.
Se os animais não responderem prontamente ao tratamento ou as doenças reincidirem,
deverá consultar-se um médico veterinário.

Alimentação e água

O Decreto-Lei n.º 48/2000, de 10 de Fevereiro, estabelece que:
Cada cria deverá receber colostro tão cedo quanto possível depois do seu
nascimento e de qualquer maneira após as primeiras seis horas de vida.
A todas as crias devem ser disponibilizados alimentos que contenham quantidades
suficientes de ferro para assegurar um nível de hemoglobina no sangue de, pelo
menos, 2.5m/L.
A partir das 2 semanas de idade, deverá ser adicionada uma alimentação fibrosa diária.
A quantidade deve ser aumentada de acordo com o crescimento da cria, a partir de
um mínimo de 100g quando tem 2 semanas, até um mínimo de 250g quando completar
20 semanas.
Todas as crias deverão ser alimentadas, pelo menos, duas vezes por dia.
Quando as crias estiverem abrigadas em grupo e não tiverem acesso contínuo a
alimentação, deverá ser-lhes dado acesso à alimentação ao mesmo tempo para todos
os animais do grupo.
Todas as crias deverão ter acesso, todos os dias, a uma quantidade suficiente de
água fresca potável.
As crias deverão ter acesso a água fresca potável em contínuo, quando:
• apresentem temperatura elevada;
• estejam doentes.
O colostro é essencial para proteger a cria de doenças infecciosas.
Idealmente, as crias deverão ser deixadas com a mãe, pelo menos durante 12 horas e
preferencialmente durante as 24 horas após o nascimento.
É recomendado que a cria continue a receber colostro da mãe durante os primeiros
três dias de vida.
Permitir que o vitelo mame naturalmente poderá ser o melhor método para garantir
de que este obtém colostro suficiente.
No entanto, deverá ser supervisionada cuidadosamente a amamentação e deve
verificar-se que o úbere está limpo antes da cria começar a mamar.
Se a cria for incapaz de mamar, deverá ser dado colostro por uma pessoa treinada
para o efeito.
Deverá manter-se algum colostro congelado, ou noutra forma, para situações de
emergência.
A retirada da cria antes das 12-24 horas após o seu nascimento deverá apenas ser
feita por motivos de controlo de doenças, sob conselho de um veterinário.
Estas crias também deverão ser alimentadas com colostro.
Em sistemas de produção com leite de substituição, é aconselhavel que a cria beba ou
tenha acesso a uma teta falsa.
Deverá estar disponível, água fresca, no cercado.
O desmame deve ser efectuado de modo a assegurar o mínimo stress, às vacas e aos
vitelos.
Deverá ter-se particular cuidado com os animais recém-desmamados e mantê-los em
grupos homogéneos de modo a evitar lutas e contaminações cruzadas.
Se for necessário a mistura de alguns animais, deve evitar-se que o ambiente origine
stress nas crias, para minimizar a ocorrência de doenças.

Descorna

É preferível a remoção de cornos já desenvolvidos, visto ser menos angustiante para
o animal.
A remoção dos cornos, quando começam a despontar, deverá apenas ser efectuada
antes das crias terem dois meses de idade e quando se começarem a ver o início dos
mesmos.
A cauterização química é fortemente desaconselhada.
A remoção deverá ser apenas executada por um tratador competente e treinado, sob
anestesia local, com um ferro aquecido.
Este procedimento envolve o corte ou serra dos cornos e outros tecidos sensíveis sob
anestesia local.
Deverá ser feito de preferência apenas com o objectivo de manter o bem-estar dos
efectivos e por um veterinário.
A remoção dos cornos, quando necessária, deverá ser efectuada durante a Primavera
ou Outono, para evitar a presença de moscas.
Após a remoção, o animal deverá ser tratado apropriadamente no sentido de aliviar a dor.
A ferida deverá ser protegida da contaminação de sementes de erva, palha ou silagem,
enquanto não tiver criado crosta.
A palha para alimentação deve ser colocada a um nível, que reduza o risco da mesma
cair para cima da cabeça do animal e, consequentemente, contaminar a ferida.
O tratador encarregue de proceder à remoção deverá sempre esperar o tempo
suficiente para o anestésico adormecer a área antes de iniciar a tarefa.
Deverá ser testada a sensibilidade do local, picando a área para ver se o animal ainda
manifesta dor em volta ou na base do corno.
O processo de descorna não deverá ser um procedimento de rotina.

Tetos extra

Se um animal tiver tetos extra (isto é, nº excessivo de tetos) estes devem ser
removidos. Esta operação deverá ser efectuada numa idade precoce.
Todo o pessoal que efectue esta tarefa deverá estar treinado convenientemente e ter
experiência nesta função.
Assim que o anestésico local tiver adormecido a área e o anti-séptico tiver sido
aplicado, os tetos a mais deverão ser retirados com tesouras afiadas e limpas.
Qualquer sangramento deverá ser estancado imediatamente.

Alojamentos

O Decreto-Lei n.º 48/2000, de 10 de Fevereiro, estabelece:
Após ter completado oito semanas de idade, nenhum vitelo deverá ser confinado a
um cubículo individual, a não ser que um veterinário certifique que a sua saúde e
comportamento exigem o isolamento, de modo a ser-lhe administrado tratamento.
A dimensão do cubículo para um vitelo deverá ser pelo menos igual à altura do animal
medido, de pé, até ao dorso. O comprimento deverá ser, pelo menos, igual ao
comprimento do corpo do animal, medido a partir da ponta do nariz até ao início da
cauda, multiplicado por 1.1.
Estábulos ou recintos individuais para vitelos (excepto aqueles destinados a isolar
animais doentes) deverão ter paredes perfuradas que permitam aos animais ter
contacto visual e táctil directos.
Para vitelos mantidos em grupos, o espaço por animal deverá ser:

• no mínimo, 1.5 metros quadrados para cada vitelo com um peso inferior a 150 kg,
• no mínimo, 2 metros quadrados para cada vitelo com um peso compreendido entre
150 e 200 kg,
• no mínimo, 3 metros quadrados para cada vitelo com um peso de 200kg ou mais.
Cada vitelo deverá poder levantar-se, deitar-se e rodar sobre si, e ser capaz de
descansar e limpar-se sem dificuldades.
Deve ser permitido aos animais verem-se uns aos outros.
Esta regra não se aplicará a nenhum vitelo que seja mantido em isolamento num
cercado, por conselho veterinário.
Caso um vitelo seja alojado num cubículo ou recinto, deverá ter, pelo menos, uma
parede perfurada que permita ao animal ver outros animais nos cubículos vizinhos,
excepto se isolado por razões veterinárias.
O Decreto-Lei n.º 48/2000, de 10 de Fevereiro, estabelece que:
Os vitelos não deverão ser atados ou presos com corda, com a excepção de períodos
de alimentação com leite ou substitutos do leite, por períodos inferiores a uma
hora.

Iluminação

O Decreto-Lei n.º 48/2000, de 10 de Fevereiro define que:
Quando as crias forem mantidas em alojamentos com iluminação artificial, a luz
deverá estar ligada por um período pelo menos equivalente ao período de luz natural
normalmente disponível, entre as 9 e as 17 horas.
Preferencialmente deverá ser disponibilizada luz natural e sempre assegurado um
período de 8 horas de luz.

Limpeza e desinfecção

O Decreto-Lei n.º 48/2000, de 10 de Fevereiro, estabelece que:
Abrigos, estábulos, recintos, equipamentos e utensílios usados para a criação de
vitelos deverão ser devidamente limpos e desinfectados para prevenir infecções
cruzadas e o acumular de organismos que podem transportar doenças.
Fezes, urina e alimento não ingerido ou entornado deverão ser removidos as vezes
necessárias para minimizar o mau cheiro e evitar a atracção de moscas ou roedores.
Os alojamentos devem ser limpos e desinfectados periodicamente, com
desinfectantes autorizados, de forma a garantir o conforto, bem-estar e saúde dos
animais aí instalados.

Pisos e camas

Sempre que os vitelos estejam estabulados é necessário que disponham de um
ambiente:

• seco;
• bem escoado;
• com boa cama;
• bem ventilado;
• livre de correntes de ar.
Os vitelos necessitam de espaço suficiente, para cada um se poder deitar
confortavelmente.
Vitelos jovens são particularmente susceptíveis a pneumonias e, como tal, é essencial
uma boa ventilação.
Não se devem alojar vitelos recém-nascidos, nem animais muito jovens em locais sem
cama.

Transporte e venda de vitelos

O Decreto-Lei n.º 294/98, de 18 de Setembro, define que:
Animais recém-nascidos nos quais o umbigo ainda não esteja completamente
cicatrizado não serão considerados aptos para serem transportados.
Para reduzir o risco de doença, sempre que possível, deverá privilegiar-se a
transferência dos vitelos directamente entre explorações.
Vitelos criados sem as mães deverão receber contacto humano, preferencialmente do
mesmo tratador, no sentido de diminuir o stress e facilitar o seu maneio.