Bovinos / Animais Reprodutores

Bovinos / Animais Reprodutores

Reprodução

O Anexo A, do Decreto-Lei n.º 64/2000, de 22 de Abril, estabelece:
A reprodução natural ou artificial ou procedimentos reprodutivos que causem, ou
tenham probabilidade de vir a causar, sofrimento ou ferimentos a quaisquer dos
animais envolvidos não deverá ser praticada.
São permitidos os procedimentos de reprodução natural ou artificial que possam
causar sofrimento mínimo ou momentâneo, ou que poderão necessitar de
intervenções que não causem lesões permanentes.
O criador de vitelos deverá efectuar uma gestão conscienciosa e conhecedora durante
o período de crescimento, gravidez e parto dos animais.
Assim, deverão seleccionar-se os animais que demonstrem um crescimento estável por
forma a atingirem os pesos recomendados e de maneira a que possam ter descendência
com o peso e tamanho adequados, para integrarem o grupo de efectivos adultos.
Não deverão deliberadamente acasalar vitelas que sejam demasiado pequenas ou
acasalar fêmeas com um touro de raça ou tamanho desproporcionado.
Ao utilizar esta prática, será provável que antes e durante o parto, os vitelos estejam
susceptíveis a maiores dificuldades, devido ao seu grande tamanho, ou à sua
configuração.
Este tipo de acasalamentos não deve ocorrer acidentalmente e devem ser tomadas
medidas para evitar este tipo de ocorrências.
Quando houver indícios de que ocorreu um acasalamento inapropriado, deverá
procurar-se conselho veterinário, de modo a lidar com a situação da melhor forma.
Na prática de reprodução selectiva deverá incluir-se, como prioridade, as
características que melhorem o bem-estar dos animais, por exemplo ao nível da
configuração das pernas e patas.
Não deverá utilizar-se na reprodução nenhum animal que tenha disformidades ou
apresente coxeira.
Para animais de engorda, em particular, deverão utilizar-se, como reprodutores,
animais mais dóceis (menos agressivos), com boas estruturas ósseas e musculares (que
reduzem a probabilidade de claudicações).

Inspecção

Em efectivos em que se utilize a inseminação artificial, o tratador deverá
disponibilizar tempo suficiente para monitorizar o cio, de modo a evitar o uso de
hormonas ou outros tratamentos.
Pelo menos duas vezes por dia, o tratador deverá inspeccionar todas as vacas que
estejam a amamentar e as que se encontrem mais perto da fase de parto.

Gestão do processo reprodutivo

Uma vaca que amamente necessita de uma dieta apropriada para satisfazer as suas
necessidades nutricionais, sem lesar a sua condição física nem o seu metabolismo.
A quantidade de alimento consumido dependerá da quantidade, qualidade e
acessibilidade da alimentação disponibilizada e do tempo gasto na alimentação.
As patas dos animais, inclusive touros, deverão ser regularmente inspeccionadas e,
quando necessário, devem aparar-se os cascos (unhas).
Um programa de cuidados, deste tipo, deverá fazer parte do plano escrito de saúde e
bem-estar animal (já referido anteriormente).
Não devem aparar-se os cascos, a não ser que se esteja devidamente treinado e se
possuam os materiais e as infra-estruturas necessárias para conter os animais.
Deve ser dada particular atenção a esta operação, porque aparar cascos pode causar
coxeira.
Caso existam dúvidas, deverá ser consultado um médico veterinário.

Acasalamento natural

Quando praticado o acasalamento natural, deverão ser apenas usados animais jovens
em pequenos grupos de vacas (idealmente 10-15).
Deverá ser oferecida alimentação extra, quando necessária.
Todos os touros deverão ter condições de acasalamento boas e seguras.
Chão com ardósia e solos escorregadios (por exemplo, em pátios, cubículos e
passagens) não são zonas apropriadas para acasalamento.

Inseminação artificial (IA)

As vacas deverão ser mantidas em ambientes familiares até à inseminação; depois
poderão ser removidas para um estábulo próximo, com condições para serem
imediatamente inseminadas.

Gravidez e parto

Quando uma vaca leiteira, em aleitamento ou em parição, for estabulada, deverá ter
sempre acesso a uma cama seca.
Qualquer vaca em parição e estabulada, deverá estar:
Num recinto ou pátio que tenha uma área que permita o apoio do tratador;
Separada dos restantes animais, excepto de outras vacas em parição.
Grande parte dos problemas e perdas durante o parto podem ser evitadas, desde que
garantidas as condições essenciais para o parto.
Os tratadores devem estar:

• familiarizados com todos os sinais de parto de uma vaca;
• bem treinados nos cuidados a prestar às vacas que estejam a parir, incluindo o uso
de auxiliares mecânicos.

As vacas que estão a parir não devem ser incomodadas, excepto se houver indicações
de que o processo de parto não está a decorrer normalmente. No entanto, deve existir
uma vigilância adequada.
Deve estar disponível espaço suficiente para permitir que as vacas tenham o seu
comportamento normal durante o parto.
Se o espaço for limitado, não deverá abrigar crias com vacas, uma vez que vacas mais
velhas poderão dominar as áreas para descanso e alimentação.
Antes de se utilizar qualquer tipo de meio auxiliar para o parto, a vaca deverá ser
examinada para se verificar se a cria está na posição certa (isto é, a cabeça primeiro,
o lado correcto para cima e com a cabeça entre as duas patas posteriores).
Também se deve verificar se a cria não é demasiado grande para um parto natural, de
modo a não causar nenhuma dor ou angústia desnecessária quer à mãe, quer à cria.
Caso existam dúvidas quanto à posição da cria ou à possibilidade de um parto natural,
deverá procurar-se aconselhamento junto do médico veterinário.
Se o parto for assistido, é essencial uma boa higiene pessoal e do equipamento.
Os instrumentos auxiliares de parto deverão estar bem limpos e desinfectados, assim
como qualquer corda que se utilize.
Deverão ser usados apenas instrumentos auxiliares para ajudar o parto em si e não
para extrair a cria o mais rápido possível.
As cordas para o parto deverão ser flexíveis e suficientemente grossas para não
magoarem o recém-nascido.
Depois do nascimento, o umbigo do recém-nascido deverá ser tratado com um
antiséptico apropriado para prevenir infecções.
Quando forem usados recintos para recém-nascidos, deverá ser prevenido o
aparecimento e disseminação de infecções, certificando-se de que existe suficiente
cama limpa e que os recintos são regularmente limpos e desinfectados.
Os partos não deverão ser, como rotina, induzidos.
O método de indução tem um papel na prevenção de crias demasiado grandes, mas
deverá primeiro consultar-se o médico veterinário.

Parques para touros

Não deverá ser negligenciado o bem-estar dos touros.
Os touros de reprodução, tanto quanto possível, deverão ser mantidos juntos com
outros animais, como por exemplo, vacas secas.
Os parques deverão estar situados de tal modo que estes animais vejam e oiçam a
actividade da exploração.
Como orientação, a acomodação para um bovino adulto de tamanho médio deverá incluir
uma zona de descanso de, pelo menos, 16 m2.
Para bovinos de elevada corpulência, a área para descanso deverá ser, pelo menos, de
1m2 por cada 60kg do peso do animal.
Se o bovino não for regular e rotineiramente exercitado fora do parque, pode-se
utilizar o parque para o acasalamento, mas, neste caso, deverá incluir uma área de
exercício, de, pelo menos, o dobro da área para descanso.
Deverão existir infra-estruturas e áreas de exercício no recinto de modo a possibilitar
a contenção do animal sem riscos, com um laço ou um dispositivo similar, para que se
possam efectuar os procedimentos agrícolas de rotina (como limpeza do recinto, por
exemplo) e de modo a que o bovino possa ser tratado sempre que necessário.