Bovinos / Alojamentos

Bovinos / Alojamentos

Aspectos gerais

O Anexo A, do Decreto- Lei n.º 64/2000, de 22 de Abril, define que:
Os materiais usados para a construção de alojamentos, estábulos e cubículos, assim
como o equipamento com o qual os animais possam entrar em contacto, não deverá
ser prejudicial, e deverão possibilitar uma boa e completa limpeza e desinfecção.
Quando os animais forem mantidos num edifício, deverão ter sempre acesso a uma
zona de repouso que tenha uma cama limpa e seca.
A liberdade de movimento dos animais, tendo em conta a sua espécie e de acordo
com experiência estabelecida e conhecimento científico, não deverá ser restringida
de modo a causar-lhes sofrimento ou lesões desnecessárias.
Quanto mais limitado for o espaço que o animal dispõe no alojamento, menor
possibilidade terá de evitar condições desfavoráveis.
Animais confinados necessitam de cuidados e atenção constantes, de pessoal bem
treinado, nomeadamente quanto às necessidades nutricionais e ambientais dos
bovinos.
Nos alojamentos, vacarias ou estábulos, as zonas de repouso deverão ter uma
dimensão, que permita manter os bovinos limpos e confortáveis e, consequentemente,
evitar lesões das articulações.
Os alojamentos atrás referidos necessitam de uma ventilação eficaz.
Os alojamentos deverão providenciar abrigo e espaço suficiente para os animais se
moverem e interagirem entre si e um animal subordinado se afastar de um dominante.
É importante providenciar uma área, o mais confortável possível, de modo a que os
animais possam deitar-se, durante o tempo que desejarem e tenham espaço suficiente
para se levantarem, deitarem e rodarem sobre si mesmos.
O solo não deverá ser demasiadamente inclinado, no máximo de 10%, uma vez que
inclinações elevadas poderão causar problemas nas pernas, escorregamentos e quedas.
Todos os recintos e passagens deverão manter-se em boas condições de manutenção.
Os solos não deverão ser demasiado ásperos, uma vez que tal poderá causar abrasões
ou cortes nas patas dos animais.
Por outro lado, os recintos e passagens não deverão ser demasiado lisos, uma vez que
os animais poderão escorregar e sofrer vários danos.
Também não deverão acumular-se detritos no chão do alojamento, uma vez que isso
tornará o solo escorregadio. Deverá também ter-se este aspecto em atenção nas
zonas de passagem e de repouso.
As superfícies interiores dos alojamentos e equipamentos deverão ser de materiais
que possam ser limpos, desinfectados e substituídos facilmente, sempre que
necessário.
Ao utilizar-se chão de cimento para vacas de aptidão leiteira, este não deve abranger
a maior parte da área utilizada por estes animais.
Deve existir pelo menos uma parte que disponha de uma cama confortável, de modo a
existirem menores probabilidades de magoarem os úberes.
Os novilhos para abate deverão manter-se em pequenos grupos, de preferência não
excedendo 20 animais/grupo.
Geralmente não devem adicionar-se animais a grupos já formados, nem deverão
juntar-se grupos diferentes quando são transportados para o matadouro.
Os grupos de machos e fêmeas deverão manter-se devidamente separados.
Os animais, que possam estar em confronto, deverão afastar-se, quando necessário,
para longe do grupo principal.
A limpeza dos alojamentos deverá ser periódica, de modo a que as vacas não fiquem
demasiado sujas, o que reduzirá o risco de mamite ocasionado pelas bactérias na cama.
Deverá haver espaço suficiente para que todos os animais se possam deitar
confortavelmente, e ao mesmo tempo, erguer-se e mover-se livremente.
Caso a manjedoura e o bebedouro sejam acessíveis a partir da área de cama, deverão
ser tomadas medidas, no sentido de reduzir a sua conspurcação.

Cubículos

Ao se instalarem cubículos ou se adaptarem infra-estruturas já existentes, dever-se-á
obter conselho de um especialista.
Quando se projectarem os cubículos deve ter-se em consideração o tamanho, forma e
peso dos bovinos.
As passagens entre os cubículos deverão ter uma largura suficiente, de forma a que
os animais consigam passar facilmente.
Os cubículos deverão ser desenhados de modo a permitir que os bovinos se deitem e
se ergam facilmente sem se magoarem.
A cama necessita de ter uma superfície adequada para:

• manter as vacas confortáveis;
• prevenir que fiquem doridas por contacto ou pressão;
• manter os tetos, úbere e flancos limpos.
A extremidade do cubículo não deverá ser demasiado alta ao ponto de esforçar as
pernas das vacas ao entrarem ou saírem do cubículo, nem a cama deverá ser demasiado
baixa ao ponto de se contaminar com detritos.
Caso existam cubículos, deverá existir um para cada animal.
Deverão manter-se mais 5% de cubículos, do que o número total de animais no grupo.

Gestão

O espaço deverá ser gerido em função dos grupos de animais nos alojamentos, tendo
em conta:
• o ambiente envolvente;
• a idade, o sexo, a esperança de vida e as necessidades comportamentais dos animais;
• o tamanho do grupo;
• a existência, ou não, de animais com cornos.
Este trabalho deverá ser elaborado por um técnico especializado ou com experiência.

Ventilação
O Anexo A, do Decreto-Lei n.º 64/2000, de 22 de Abril, define que:
• a circulação do ar, os níveis de pó, temperatura, humidade relativa e concentração
de gás deverão ser mantidos dentro de limites que não sejam prejudiciais aos
animais.
Todos os novos edifícios deverão ser desenhados tendo em atenção o conforto dos
animais, bem como a prevenção de doenças respiratórias.
Os edifícios deverão providenciar ventilação suficiente de acordo com o tipo, tamanho
e número de animais que neles serão alojados.
Sempre que surja a necessidade de regular a temperatura interna, os tectos deverão
ser isolados para reduzir o aquecimento solar.

Iluminação

O Anexo A, do Decreto-Lei n.º 64/2000, de 22 de Abril, estabelece:

• Quando os animais forem mantidos em edifícios, deverá estar disponível iluminação
adequada (quer fixa, quer portátil) para poderem ser inspeccionados a qualquer
momento.
• Animais em edifícios não devem ser mantidos em escuridão permanente.
• Quando a luz natural disponível num edifício for insuficiente para satisfazer as
necessidades fisiológicas e etológicas de quaisquer animais mantidos no seu
interior, deverá ser providenciada luz artificial adequada.
• Os animais mantidos em edifícios deverão ter um período apropriado de descanso
da luz artificial.
Durante o dia, a iluminação interior, quer seja natural ou artificial, deverá ser
suficiente para se poder ver claramente todos os animais alojados e para os animais
se alimentarem e manifestarem os comportamentos próprios da espécie.
Deverá também ser disponibilizada luz, fixa ou portátil, sempre que seja necessária a
inspecção de um animal, por exemplo, durante partos.

O Anexo A, do Decreto-Lei nº 64/2000, de 22 de Abril, define:
Todos os equipamentos mecânicos e automatizados essenciais para a saúde e bemestar
dos animais deverão ser inspeccionados pelo menos uma vez por dia para
verificação de possíveis anomalias.
Caso a ventilação artificial condicione a saúde e bem-estar dos animais:
• Deverão ser tomadas medidas para que um sistema apropriado de reserva possa
garantir uma suficiente renovação de ar.
• Em caso de falha do sistema de ventilação, deverá existir um sistema de alarme
(que deverá operar mesmo que a fonte de energia principal que o alimenta falhe)
quando ocorrer qualquer paragem do sistema.
• O sistema de reserva deverá ser inspeccionado e o sistema de alarme testado
periodicamente, para verificar que não existem falhas no sistema e, caso alguma
for encontrada, deverá ser rectificada imediatamente.

Equipamento

Todo o equipamento eléctrico principal deverá satisfazer as normas existentes, estar
devidamente ligado à terra, protegido de roedores e de impossível acesso aos animais.
A manutenção periódica dos equipamentos deverá ser assegurada de forma a garantir
o bem-estar animal.

Incêndios e outras precauções de emergência

Deverão existir planos de acção para lidar com emergências na exploração, como
incêndios, inundações, ou interrupção do abastecimento de alimentos.
O detentor deverá certificar-se de que todo o pessoal está familiarizado com as
acções de emergência necessárias.
É importante que se obtenha conselho especializado quando da construção ou
modificação de um edifício.
Será necessário ter as condições mínimas necessárias que possibilitem soltar e
evacuar os animais rapidamente, em caso de emergência, tendo, por exemplo, portas
e portões que se abram do exterior.
Tendo em conta o tipo de exploração poderá equacionar-se sempre que adequada a
instalação de alarmes contra incêndios que possam ser ouvidos e atendidos a qualquer
hora do dia ou da noite.