Animais selvagens: o elegante órix é uma das grandes surpresas do deserto

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Animais selvagens: o elegante órix é uma das grandes surpresas do deserto

Um dos cantinhos mágicos da Namíbia é o conjunto de dunas de Deadvlei. O céu está claro, sem nenhuma nuvem. O sol, que apenas nasceu, já ilumina o cume das dunas mais altas e o vermelho pálido ganha uma coloração flamejante. A caminhada de 1,2 km até o antigo charco sempre é um momento de descobertas.

Ao chegar ao topo de uma duna, avisto um órix (Oryx gazella). Fico imóvel e, levando o dedo indicador aos lábios, faço sinal de silêncio para os que estão atrás de mim. Dou um passo para trás, me agacho e sento na areia fresca. O órix não notou nossa presença. Cercado pelas dunas, tão ondulantes como aconchegantes, encontro uma posição confortável e relaxo. Tiro algumas fotos da cena idílica, mas meus gestos são comedidos. O silêncio plácido, a paisagem limpa e a tranquilidade do animal criam um cenário de serenidade. Observar esse enorme antílope em seu estado selvagem, sem o impacto de seres humanos, é uma meditação ao ar livre. O tempo para de existir.

O animal, em busca de alguma moita verde, se movimenta. Ao contrário do que imagino, ele não se afasta, mas quase vem em nossa direção. Sobe até o topo de uma duna próxima e deixa que seu peso e a força da gravidade se encarreguem da descida. Os cliques fotográficos se intensificam.

Todas as vezes que visitei Deadvlei – sempre cedo pela manhã – encontrei algum órix para nos dar boas-vindas. Um dos habitantes mais elegantes do lugar, ele se adapta bem ao deserto. Como não precisa beber muita água – consegue extrair o líquido das plantas que come – o órix pode viver em um ambiente quente e seco.

Um órix atravessa as dunas avermelhadas (Foto: © Haroldo Castro/Época)

Ainda na região de Deadvlei, um órix atravessa as dunas avermelhadas (Foto: © Haroldo Castro/Época)

Continuamos nossa caminhada e vencemos o último obstáculo. Do alto da duna, Deadvlei se revela como uma pequena planície ovalada, rodeada por areia. O solo é branco: uma argila salgada, calcinada pelo calor. Aqui e ali, formas esguias negras surgem da terra alva. São esqueletos de árvores que congelaram seu movimento.

De cima, entendo o que aconteceu nos últimos séculos. Deadvlei – que significa “charco morto” em africâner – era o ponto final das enchentes esporádicas de um dos braços do rio Tsauchab. A água trazia vida ao lugar e algumas árvores cresceram graças à umidade concentrada, mesmo se raras vezes ao ano. Como tudo é dinâmico e a mudança é a única regra da existência, duas dunas nasceram na entrada do charco, interrompendo o curso do rio efêmero. As árvores de Deadvlei deixaram de receber água e morreram há 600 anos.

O órix também é abundante no Parque Nacional Etosha, o mais visitado da Namíbia. Na foto, um macho galopa pela planície salgada (Foto: © Haroldo Castro/Época)

O órix é um animal tão importante e presente na Namíbia que seu desenho estilizado está no brasão de armas do país. A espécie habita todas as regiões, assim como no noroeste da África do Sul e em Botsuana. Nas últimas duas décadas, a população – estimada em 400 mil animais – se estabilizou. Quase todas as Terras Comunitárias de Conservação na Namíbia e muitas das reservas privadas contam com numerosos rebanhos de órix.

O animal pode ser identificado de longe por possuir um chifre quase reto, medindo até 85 cm de comprimento. Os da fêmea são mais finos, mas podem ser mais longos do que os do macho. Já em peso, o macho é bem maior: um adulto pode chegar a 240 kg, enquanto uma fêmea raramente ultrapassa a marca dos 200 kg.

Um grupo de órix cruza o leito seco do rio Huab (Foto: © Haroldo Castro/Época)

Um grupo de cinco órix cruza o leito seco do rio Huab, na Terra Comunitária de Conservação Tora (Foto: © Haroldo Castro/Época)

O órix é uma animal que se adapta bem a qualquer terreno desértico (Foto: © Haroldo Castro/Época)

O órix é uma animal que se adapta bem a qualquer terreno desértico. Parque Transfronteiriço Kgalagadi, na África do Sul (Foto: © Haroldo Castro/Época)

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